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Entender · Gerar

Safári de serviço (service safari)

Saiam para usar serviços reais vocês mesmos, os seus e os de outros, e tragam de volta como é de verdade.

Tempo
120 min
Pessoas
2–6
Tipo de trabalho
Entender · Gerar
Uma integrante da equipe vai a caminho da sessão.

Em resumo

O safári de serviço é uma saída de campo em que a equipe usa serviços reais, os seus e os de outros, como clientes comuns, registrando tudo com fotos e anotações. Para fazer, defina um foco, escolha de quatro a oito serviços, saiam em duplas, cumpram uma tarefa real em cada um e depois compartilhem e organizem os achados juntos.

O que é

O safári de serviço tira da sala de reunião as pessoas que desenham e operam um serviço e as coloca do lado do cliente no balcão. Cada pessoa escolhe um serviço, passa por ele como um usuário comum com uma tarefa real a cumprir e registra o que vê, ouve, espera e sente pelo caminho. Os serviços podem ser os seus, os de um concorrente ou os de um setor completamente diferente que lida bem ou mal com um momento parecido.

O método é muito usado em design de serviços como uma forma inicial de construir entendimento em primeira mão antes da pesquisa formal, e como fonte de ideias que vale a pena tomar emprestado. Ele não substitui conversar com usuários: você aprende como o serviço é para alguém como você, não para alguém com menos tempo, menos segurança ou outro idioma. Nesta planilha cada visita ganha um registro: o serviço, a tarefa que você tentou cumprir, o canal e o lugar, o que aconteceu passo a passo, as evidências que você registrou, a principal surpresa ou dor e qualquer ideia que valha a pena tomar emprestado.

Quando usar

Use quando

  • Uma equipe vai redesenhar um serviço que a maioria dos seus membros nunca usou como cliente.
  • A liderança descreve o serviço a partir de relatórios e painéis e você quer que ela sinta as lacunas pessoalmente.
  • Você está começando um projeto e quer primeiras impressões rápidas e compartilhadas antes de planejar entrevistas.
  • Você procura ideias de outros setores que lidam com um momento parecido, como esperar, pagar ou provar quem você é.
  • Dizem que dois canais do mesmo serviço, como a agência e o aplicativo, são consistentes, e você quer conferir.

Evite quando

  • Você o trata como substituto da pesquisa com usuários reais. A equipe vive o serviço com um conhecimento interno e uma segurança que os clientes não têm.
  • O serviço não pode ser usado sem uma necessidade genuína, como um pronto-socorro ou um pedido de benefício, e fingir ser cliente desperdiçaria capacidade ou enganaria a equipe.
  • Você não consegue autorização para fotografar ou gravar nos lugares que pretende visitar, e só as anotações não vão dar à equipe material suficiente para trabalhar.

Do que você precisa

Tempo
Cerca de 2 horas: 20 minutos de briefing, 60 minutos em campo e 40 minutos para compartilhar. Mais, se as visitas estiverem espalhadas pela cidade.
Pessoas
De 2 a 6 pessoas trabalhando em duplas, de preferência misturando linha de frente com gestores e designers.
Materiais
Uma planilha por visita, celulares para fotos e cronometragem, uma lista curta de serviços e tarefas e uma parede ou um quadro compartilhado para a conversa de volta.

Como aplicar

  1. Passo 1: Defina o foco

    Combinem numa frase o que vocês querem aprender, por exemplo "como as pessoas descobrem o que levar e quanto tempo esperam até serem atendidas". Um foco claro impede que o safári vire um passeio genérico de reclamações e diz a todos o que observar de perto.

    Área de espera com fileiras de cadeiras, um emissor de senhas perto da porta e um painel de chamada na parede do fundo
  2. Passo 2: Escolha serviços e tarefas

    Liste de quatro a oito serviços para visitar. Inclua pelo menos um dos seus, um equivalente direto em outro lugar e um ou dois de um setor sem relação que lidem com o mesmo momento. Dê a cada um uma tarefa real a cumprir, como agendar um atendimento, tirar uma dúvida ou pagar uma conta, para as pessoas passarem pelo serviço em vez de só olharem para ele.

  3. Passo 3: Combinem as regras

    Comportem-se como clientes comuns e não digam que estão numa visita de estudo, a menos que perguntem. Confiram as regras sobre fotos antes de ir, nunca fotografem rostos nem telas com dados pessoais e peçam autorização dentro de espaços privados ou de órgãos públicos. Não ocupem um horário, uma senha ou o tempo de um atendente de que um cliente real precise mais que vocês.

    Caderno aberto com linhas escritas à mão; a página da direita se divide em duas colunas
  4. Passo 4: Saiam em duplas

    Mandem as pessoas de duas em duas: uma faz a tarefa, a outra observa, anota e cronometra. Troquem os papéis no serviço seguinte. Quem observa percebe as pequenas coisas que quem usa está ocupado demais para notar, como placas que ninguém lê ou o momento em que uma fila para de andar.

  5. Passo 5: Registre cada passo na hora

    Preencha uma planilha por visita enquanto a memória está fresca. Escreva o que aconteceu em ordem, anote os tempos e ligue cada ponto a uma foto. Separe o que você observou do que sentiu e registre as palavras exatas de placas, telas e atendentes.

    Tela de agendamento ao lado de uma senha de fila impressa
  6. Passo 6: Compartilhem as histórias

    De volta, cada dupla conta a história de uma visita em três minutos, com fotos, da chegada à saída. Os outros escrevem uma surpresa ou dor por post-it enquanto ouvem. Mantenham o tom descritivo. O objetivo é ver o serviço com clareza, não culpar quem trabalha nele.

  7. Passo 7: Organizem e escolham o que levar adiante

    Agrupem os post-its em temas e depois marquem dois tipos de achado: problemas no seu próprio serviço que precisam de pesquisa com usuários reais, e ideias de outros serviços que vale a pena tomar emprestado. Registrem os dois, junto com o que vocês ainda não sabem, para o próximo passo ficar claro.

Exemplo prático

Uma distribuidora regional de energia planejava redesenhar a forma como novos clientes pedem a ligação de uma residência. Os seis membros da equipe do projeto trabalhavam havia anos no serviço, mas nenhum tinha pedido uma ligação pessoalmente, e o briefing dizia apenas que os clientes achavam o processo "lento e confuso".

O foco era "como as pessoas descobrem o que é preciso para uma nova ligação e o que acontece enquanto esperam uma decisão".

Três duplas visitaram nove serviços numa tarde: dois centros de atendimento da própria distribuidora, o site e a central telefônica dela, um balcão de ligação de água, um banco abrindo uma conta empresarial, uma loja de telecomunicações instalando internet residencial, um centro de vistoria veicular e o balcão de agendamento ambulatorial de um hospital.

Voltaram com 140 fotos e 62 anotações. Num dos próprios centros, uma dupla esperou 47 minutos para descobrir que a planta do imóvel precisava ser carimbada por outro órgão, uma exigência que não aparecia em nenhum lugar do site.

A loja de telecomunicações entregava uma folha impressa com cada passo, a data prevista e um contato nomeado. O centro de vistoria veicular mostrava a posição na fila em tempo real numa tela do lado de fora do prédio.

A organização gerou cinco temas. A equipe escolheu dois para pesquisar com requerentes reais: a falta de informação antes da primeira visita e o silêncio depois que o pedido é enviado.

Acrescentaram uma ideia a tomar emprestado, uma única folha com passos, datas e um contato nomeado, à lista da próxima sessão de ideias, e registraram que nenhum deles tinha experimentado o serviço num idioma que não fosse árabe ou inglês.

Ilustrativo

Dicas e erros comuns

Dicas

  • Dê uma tarefa real a cada visita. Dar uma volta numa agência ensina muito menos que tentar resolver alguma coisa nela.
  • Cronometre. Uma espera que pareceu de 10 minutos muitas vezes é de 25, e um número na parede é mais difícil de contestar que uma impressão.
  • Inclua pelo menos um serviço de outro setor. As ideias mais úteis muitas vezes vêm de lugares com que ninguém na equipe pensou em comparar.
  • Coloque linha de frente e gestores nas mesmas duplas, para cada um ver o que o outro percebe.

Erros comuns

  • Visitar só o próprio serviço, o que confirma o que a equipe já acredita e deixa de lado ideias de outros lugares.
  • Fotografar rostos ou dados pessoais das pessoas, o que abala a confiança e pode violar as regras do local.
  • Escrever tudo um dia depois, quando os pequenos detalhes que mais importam já se apagaram.
  • Tratar a experiência da própria equipe como prova do que os clientes precisam e pular a pesquisa com usuários reais.

O que você leva

Você sai com uma planilha e um conjunto de fotos por visita, uma lista curta de temas, os problemas do seu próprio serviço que precisam de pesquisa com usuários reais e algumas ideias de outros serviços que vale a pena tomar emprestado. O próximo passo costuma ser observação contextual ou entrevistas com stakeholders para testar os problemas com quem convive com eles, e uma sessão de inspiração por analogia para desenvolver as ideias emprestadas.

Perguntas frequentes

Quantos serviços um safári de serviço deve incluir?

De quatro a oito bastam para uma tarde com uma equipe pequena. Menos de quatro raramente permite comparação, e mais de oito deixa pouco tempo para registrar cada visita direito.

Devemos avisar os atendentes de que estamos num safári de serviço?

Em geral, não, para vocês verem o serviço como ele funciona normalmente. Se alguém perguntar, sejam honestos. Na sua própria organização, avisem os gestores locais com antecedência que pode haver visitas, sem dizer o dia, e deixem claro que não é uma fiscalização de pessoas.

Qual a diferença entre safári de serviço e observação contextual?

No safári de serviço, a própria equipe usa o serviço e registra a sua experiência. Na observação contextual, você observa clientes ou atendentes reais enquanto usam ou prestam o serviço. O safári é mais rápido e gera empatia dentro da equipe; a observação mostra o que é verdade para outras pessoas.

Ficha da ferramenta

A planilha que sua equipe preenche, um quadro por campo.

Safári de serviço (service safari)Prévia da ficha
  • Serviço visitado
  • Tarefa tentada
  • Canal e lugar
  • O que aconteceu, passo a passo
  • Evidências registradas
  • Surpresa ou dor
  • Ideia que vale tomar emprestado
Em breve

Aprenda o método. Aplique com sua equipe.

Abrimos primeiro para profissionais convidados e depois para organizações.

Entrar na lista de esperaUma única mensagem quando seu convite estiver pronto. Nada mais.