Três horizontes (three horizons)
Veja o que está se apagando, o que está surgindo e o que fica no meio, e escolha os experimentos que levam de um ao outro.
- Tempo
- 60 min
- Pessoas
- 5–8
- Tipo de trabalho
- Enquadrar · Planejar

Em resumo
Três horizontes é um método de futuros que olha três padrões ao mesmo tempo: o modo atual de fazer as coisas (horizonte 1), um padrão futuro desejado (horizonte 3) e as inovações de transição entre eles (horizonte 2). A equipe mapeia cada um, anota sinais de mudança e escolhe experimentos de transição. Uma primeira sessão leva cerca de uma hora.
O que é
Imagine três curvas em um gráfico. A primeira é o jeito como as coisas são feitas hoje. Ela é dominante agora, mas aos poucos vai perdendo aderência ao mundo. A terceira é um padrão futuro que se encaixaria muito melhor; hoje ele existe apenas em pequenos bolsões. A segunda curva fica entre as duas: os experimentos, improvisos e novas práticas que poderiam levar da primeira à terceira. O método foi desenvolvido na prática de estudos de futuros e é muito usado em políticas públicas e transformação de sistemas.
Dois cuidados importam. Primeiro, os horizontes são padrões, não datas. O horizonte 3 não é o ano de 2040; é um modo de trabalhar que talvez já exista em algum lugar. Segundo, o horizonte 1 merece respeito. Ele mantém o serviço funcionando hoje, e a transição precisa cuidar das pessoas que dependem dele.
Quando usar
Use quando
- Quando a equipe sabe que o modelo atual está sob pressão, mas não consegue concordar sobre o que vem depois.
- Quando há uma visão de longo prazo e é preciso ligá-la a passos práticos agora.
- Quando vários pilotos de inovação estão em andamento e você quer ver quais levam a algum lugar.
- Depois de um trabalho com cenários, para pensar em como avançar rumo ao futuro preferido.
Evite quando
- Quando a tarefa é corrigir um problema definido dentro do modelo atual. Use uma ferramenta de causa raiz ou de processos.
- Quando o grupo não tem uma noção compartilhada do futuro que deseja. Dedique tempo antes a uma visão ou a cenários.
Do que você precisa
- Tempo
- 60 minutos para um primeiro mapa. Muitas equipes voltam para uma segunda sessão depois de reunir exemplos.
- Pessoas
- De 5 a 8 pessoas, misturando quem opera o serviço atual com quem trabalha em novas abordagens.
- Materiais
- Uma parede com três grandes curvas desenhadas de ponta a ponta (uma descendo, uma subindo e uma entre elas), post-its de três cores e marcadores.
Como aplicar
Passo 1: Combinem o sistema a ser analisado
Escreva-o na parede em poucas palavras, como "como nosso hospital acompanha os pacientes depois da alta". Seja específico o bastante para que todos imaginem o mesmo trabalho.
Passo 2: Descreva o horizonte 1
Por 10 minutos, escreva o padrão atual na curva descendente. O que fazemos hoje? O que funciona e precisa ser protegido? Onde ele está perdendo aderência, e como dá para perceber? Peça a quem opera o serviço que conduza esta parte.
Passo 3: Descreva o horizonte 3
Em seguida, escreva o padrão futuro desejado na curva ascendente. Como seria o acompanhamento se ele atendesse bem às necessidades de pacientes e equipe? Depois pergunte: onde um pedaço disso já existe hoje, aqui ou em outro lugar? Esses bolsões são a sua evidência.
Passo 4: Mapeie o horizonte 2
Na curva do meio, liste as inovações e mudanças já em andamento ou propostas. Para cada uma, pergunte se ela avança rumo ao horizonte 3 ou apenas faz o horizonte 1 durar mais. Os dois tipos são válidos; identifique-os para conseguir diferenciá-los.
Passo 5: Acrescente sinais
Escreva dois ou três sinais para cada horizonte: indícios de que o horizonte 1 está perdendo aderência e de que o horizonte 3 está se espalhando. Os sinais devem ser observáveis, como um aumento nas reinternações ou uma equipe adotando uma nova prática.
Passo 6: Escolha experimentos de transição
Escolha duas ou três ações do horizonte 2 para testar nos próximos três meses. Cada uma deve ser pequena, reversível e ligada ao horizonte 3. Escreva quem vai conduzi-la, o que vocês vão aprender e o que precisa ser protegido no horizonte 1 enquanto ela acontece.
Exemplo prático
Um hospital geral queria reduzir as reinternações depois da alta. Sete pessoas se reuniram: duas enfermeiras de enfermaria, uma farmacêutica, um coordenador de alta, uma líder digital, um responsável pela experiência do paciente e um facilitador.
O horizonte 1 era uma carta de alta impressa, uma consulta de retorno em quatro a seis semanas e ligações só quando algo dava errado. Funcionava para casos de rotina. Os sinais de desgaste eram as reinternações crescentes em até 30 dias entre pacientes idosos que tomavam vários medicamentos.
O horizonte 3 era um apoio contínuo e leve em casa, com problemas identificados cedo. A equipe encontrou bolsões disso já existentes: a farmacêutica de uma enfermaria ligava no terceiro dia para pacientes em uso de anticoagulantes.
O horizonte 2 incluía um sistema de lembretes por SMS já em piloto, um plano para abrir mais ambulatórios de retorno e uma conversa com a família à beira do leito. O grupo marcou os ambulatórios extras como extensão do horizonte 1, e a ligação do terceiro dia e a conversa com a família como avanços rumo ao horizonte 3.
Os sinais a acompanhar eram as taxas de reinternação por enfermaria e o número de pacientes contatados na primeira semana.
A equipe escolheu dois experimentos: estender a ligação da farmacêutica no terceiro dia a mais uma enfermaria e testar uma conversa de dez minutos com a família de 20 pacientes. Ficou combinado que o acompanhamento ambulatorial existente continuaria sem mudanças durante os testes.
IlustrativoDicas e erros comuns
Dicas
- Comece pelo horizonte 1 e trate-o com justiça. Quem o opera se engaja mais quando seu valor é reconhecido.
- Procure o horizonte 3 no presente. Se ninguém conseguir apontar um exemplo em lugar nenhum, a visão pode estar abstrata demais.
- Use post-its de três cores para que os horizontes fiquem visíveis do outro lado da sala.
- Deixe o desenho na parede para a próxima sessão. Mover os post-its entre as curvas ao longo do tempo faz parte do aprendizado.
Erros comuns
- Tratar os horizontes como um, três e dez anos. Eles são padrões e se sobrepõem no tempo.
- Descrever o horizonte 1 apenas como o problema, o que deixa na defensiva quem o opera.
- Encher o horizonte 2 com todos os projetos da organização, em vez das mudanças relacionadas a este sistema.
- Terminar com uma visão e nenhum experimento.
O que você leva
Você sai com um retrato compartilhado do padrão atual, um padrão futuro desejado com exemplos reais, uma lista organizada de mudanças de transição e dois ou três experimentos com responsáveis. Leve os experimentos para um roadmap e use o mapeamento de portfólio se precisar compará-los com outras iniciativas que disputam as mesmas pessoas.
Perguntas frequentes
Quais são os três horizontes?
O horizonte 1 é o modo dominante atual de fazer as coisas. O horizonte 3 é um padrão futuro desejado que se encaixaria melhor. O horizonte 2 é o espaço das inovações de transição entre eles. Os três existem ao mesmo tempo; não são uma linha do tempo.
É o mesmo que os três horizontes de crescimento usados nos negócios?
Eles compartilham o nome e o desenho de três curvas, mas servem a propósitos diferentes. A versão de negócios costuma classificar produtos pelo tempo até gerar receita. A versão de estudos de futuros usada aqui olha como um modo de trabalhar dá lugar a outro.
Quanto tempo leva uma sessão de três horizontes?
Cerca de uma hora para um primeiro mapa com cinco a oito pessoas. Uma versão mais profunda, com exemplos reunidos entre as sessões, costuma levar dois ou três encontros.
Ficha da ferramenta
A planilha que sua equipe preenche, um quadro por campo.
- Horizonte
- Padrão atual
- Padrão emergente
- Transição
- Sinal