Tiremesù
PT
Maturidade e mediçãoGuia prático8 min de leitura

Como se preparar para o Qiyas e chegar ao estágio de inovação

Guia prático para órgãos do governo saudita que se preparam para o Qiyas, a medição de transformação digital da DGA, e querem passar da integração à inovação.

Editores da Tiremesù

Como se preparar para o Qiyas e chegar ao estágio de inovação

O Qiyas, a medição de transformação digital da Digital Government Authority (DGA), avalia até que ponto os órgãos do governo saudita cumprem os padrões de transformação digital e posiciona cada um numa escala de cinco estágios, cujo topo trata de criatividade e inovação. Ninguém chega a esse estágio montando arquivos nas últimas semanas. Chega-se fazendo trabalho real de inovação nos serviços e nas operações e registrando-o à medida que acontece. Este guia reúne o que está confirmado sobre a medição e um caminho, etapa por etapa, para se preparar.

Antes de começar: os padrões e a metodologia da medição são atualizados de um ciclo para outro. Este artigo não substitui o documento de metodologia que a Autoridade publica a cada ciclo, nem reproduz nada dele. Consulte a página da medição no site da Digital Government Authority antes de planejar.

O que está confirmado sobre o Qiyas

Ficamos no que conseguimos verificar em fontes publicadas:

  • Emissor e finalidade. A Digital Government Authority emite o Índice de Medição da Transformação Digital, descrito pelos órgãos participantes como a principal ferramenta para medir o desempenho e as capacidades dos órgãos governamentais em governo digital (Saudipedia; Universidade Islâmica de Medina).
  • Cinco estágios. Estabelecimento (às vezes traduzido como "construção"), disponibilidade, aprimoramento, integração e inovação (em árabe, al-ibdaa, muitas vezes traduzido como "criatividade"). A cobertura do ciclo de 2021 descreve o estágio mais alto como aquele em que os órgãos oferecem modelos criativos e inovadores nas áreas de transformação digital, e a integração como integração interna entre departamentos e integração externa com outros órgãos (Ajel; General Food Security Authority).
  • Três níveis de conformidade por padrão: total, parcial e não conformidade (Saudipedia).
  • A inovação é explícita. A medição de 2023 acrescentou um componente de "Inovação na Transformação Digital" para estimular modelos digitais de destaque, soluções criativas e tecnologias emergentes (Saudipedia).
  • Resultados recentes. A média dos órgãos governamentais chegou a 88,30% na medição de 2025, contra 87,14% em 2024, com 240 órgãos participantes; a Autoridade já anunciou o índice de 2026 (Al-Watan).

Daí decorrem duas coisas. O Qiyas é, antes de tudo, uma medição de transformação digital; a inovação está no topo da sua escala de maturidade, e não num índice separado. E, à medida que as médias sobem, chegar à integração fica comum, então a diferenciação real passa para o estágio de inovação.

Por que os órgãos travam no limiar da inovação

Os primeiros estágios se constroem com políticas, sistemas e procedimentos, que o departamento de transformação digital controla em grande parte. A inovação exige outra coisa: modelos realmente novos, testados com beneficiários reais, com um impacto que se possa demonstrar. Três obstáculos se repetem:

  • Inovação tratada como arquivo, não como prática. Tudo o que pode ser chamado de "inovador" é reunido no último mês, e as evidências são frágeis porque o trabalho nunca foi pensado para provar nada.
  • A transformação digital trabalhando sozinha. Serviços e processos pertencem aos departamentos operacionais. Se eles não forem parceiros desde o início, os modelos ficam nos slides.
  • Nenhum impacto medido. Uma ideia atraente sem linha de base e sem resultado não resiste a um avaliador que pergunta "o que mudou?".

A preparação, etapa por etapa

1. Leia a metodologia vigente com os donos dos serviços

Comece pela metodologia da Autoridade para o ciclo atual e leia-a numa sessão com os departamentos donos dos serviços, não só com a equipe digital. Combinem quais padrões tocam integração e inovação e o que a metodologia aceita como evidência para cada um.

2. Mapeie com honestidade onde vocês estão

Para cada área, classifique a sua posição nos termos da metodologia: total, parcial ou ausente. Para cada padrão de integração, pergunte se a integração com outros órgãos funciona de fato ou só está documentada. Um órgão que não resolveu a integração vai ter dificuldade para convencer em inovação. Um mapa de ecossistema ajuda a enxergar os vínculos reais de integração com os órgãos parceiros.

O canvas do Mapa de ecossistema
O canvas do Mapa de ecossistema

3. Escolha de três a cinco iniciativas reais de inovação

Não tente provar inovação em toda parte. Escolha poucas iniciativas que toquem um serviço importante ou um processo de peso, cada uma com um gestor operacional nomeado como responsável. O teste: ela vai mudar a experiência do beneficiário ou a eficiência do trabalho de um jeito mensurável dentro do ciclo? Use o mapeamento de portfólio para equilibrar melhorias de curto prazo com uma ou duas apostas maiores.

O canvas do Mapeamento de portfólio (mapa do portfólio de inovação)
O canvas do Mapeamento de portfólio (mapa do portfólio de inovação)

4. Desenhe cada iniciativa para provar o seu impacto

Antes de construir qualquer coisa, escreva para cada iniciativa uma hipótese clara, uma linha de base e uma medida de sucesso, usando um teste de hipótese. Desenhe o serviço antes e depois com um blueprint de serviço. Assim, a evidência vira subproduto do trabalho, e não um arquivo produzido depois.

5. Atribua responsáveis e defina um ritmo mensal

Use uma Matriz RACI para nomear quem responde por cada padrão, por cada iniciativa e pelas suas evidências. Faça uma revisão mensal curta: o que avançou, que evidências novas existem, o que travou. Evidências reunidas mês a mês são muito mais fortes do que as reunidas na semana da submissão, que é o tema de as evidências que os avaliadores aceitam.

6. Faça uma avaliação simulada dois meses antes da submissão

Peça a uma equipe de fora das iniciativas que revise as evidências como um avaliador faria. Estão datadas? Provam o padrão tal como está escrito? O impacto está medido? O que encontrarem dois meses antes ainda tem conserto; o que for encontrado depois da submissão, não.

7. Revise depois dos resultados e comece o próximo ciclo na hora

Quando os resultados chegarem, faça uma retrospectiva com os responsáveis pelas iniciativas: quais evidências se sustentaram, quais não, e por quê. Comece o próximo ciclo dali, não do zero.

Um exemplo

Ilustrativo. Uma prefeitura regional na Arábia Saudita, que chegou ao estágio de integração no ciclo anterior, queria passar para a inovação. A equipe de transformação digital leu a metodologia com os departamentos de serviços municipais e de planejamento urbano e descobriu que vários padrões de integração estavam documentados, mas não funcionavam com dois órgãos parceiros; então corrigiu isso primeiro.

Depois, escolheu três iniciativas: redesenhar a jornada do alvará de construção em torno das necessidades do requerente; um piloto para receber e encaminhar automaticamente denúncias de poluição visual; e um teste conjunto de compartilhamento de dados com uma concessionária de serviços públicos, que eliminou uma etapa para os requerentes. Cada uma tinha um responsável operacional, uma hipótese e uma linha de base de tempo de processamento. Numa revisão mensal, a equipe encerrou a segunda iniciativa depois que o piloto mostrou que o verdadeiro gargalo era a triagem interna, não o canal de denúncia, e registrou a decisão e o motivo. Esse registro virou, ele próprio, evidência de um processo de inovação maduro o bastante para saber quando parar.

O que fazer e o que evitar

Faça

  • Comece cada ciclo pela metodologia vigente, não pela lembrança do ciclo anterior.
  • Faça dos departamentos operacionais parceiros nas iniciativas desde o primeiro dia.
  • Desenhe cada iniciativa para gerar a própria evidência: hipótese, linha de base, resultado datado.
  • Registre as decisões de encerrar, com os motivos, com o mesmo cuidado que os sucessos.
  • Ligue a preparação para o Qiyas a uma avaliação de maturidade em inovação mais ampla, para que a medição externa não seja o seu único motor.

Evite

  • Rebatizar projetos comuns de tecnologia como "modelos inovadores". Os avaliadores percebem.
  • Reunir evidências na última semana.
  • Deixar uma consultoria escrever os arquivos enquanto o trabalho continua igual.
  • Confundir o Qiyas com a certificação ISO 56001; têm finalidades e donos diferentes. Veja ISO 56001: guia prático para quem vai implementar.
  • Colar o texto dos padrões em apresentações internas em vez de discutir o que eles significam para os seus serviços.

Perguntas frequentes

Quais são os estágios da medição de transformação digital do Qiyas? Cinco: estabelecimento, disponibilidade, aprimoramento, integração e inovação (criatividade). No estágio mais alto, o órgão oferece modelos criativos e inovadores nas áreas de transformação digital. Confirme sempre os nomes e os detalhes na metodologia do ciclo vigente da Digital Government Authority.

Como passar da integração à inovação no Qiyas? Primeiro, faça a integração funcionar de verdade; depois, escolha algumas iniciativas reais de inovação sob responsabilidade dos donos dos serviços, desenhe cada uma para provar impacto com uma linha de base e um resultado medido, e reúna evidências mês a mês ao longo do ciclo.

O Qiyas é a mesma coisa que a ISO 56001? Não. O Qiyas é emitido pela Digital Government Authority para avaliar a transformação digital nos órgãos do governo saudita. A ISO 56001:2024 é uma norma internacional voluntária para um sistema de gestão da inovação, certificada por organismos acreditados. O trabalho em uma pode apoiar a outra, mas nenhuma substitui a outra.

Para onde ir agora

Para enxergar os vínculos reais de integração, comece por um mapa de ecossistema; para desenhar iniciativas que provem o seu impacto, use um blueprint de serviço e um teste de hipótese; para atribuir papéis, uma Matriz RACI. O texto central do tema é como avaliar a maturidade em inovação da sua organização.

Fontes: Saudipedia, "Digital Transformation Index"; Ajel, cobertura dos resultados da medição de 2021; Al-Watan, resultados da medição de 2025; General Food Security Authority, notícia sobre o seu resultado de 2024; Universidade Islâmica de Medina, página do índice.